Amanhã
Quando
for
mera
lembrança
Me
transformem
em
cinzas
E
me
levem
por
lugares
que
amei
E
nos
quais
fui
amado
e
amante
Me
deixem
um
pouco
Em
cada
qual
Para
que
eu
não
esteja
em
lugar
algum
E
esteja
em
todos
os
lugares
Por
onde
andei
Ou
aqueles
que
minhas
memórias
Agora
apenas
poemas
ou
outras
linhas
Perdidas
Me
achem
Nos
canais
de
Veneza
Nas
vielas
de
Roma
Nas
praças
de
Paris
Nos
lagos
suíços
E
por
onde
mais
tenha
passado
E
um
dia
lamentado
Não
ter
ido
ou
não
voltado
Com
quem
me
amava.
Amanhã
Quando
for
meras
cinzas
Não
discutam
o
que
não
fiz
Mas
quem
fui
E
o
que
deixei
Que
deva
ser
guardado
Nas
memórias
Da
mulher
e
dos
filhos
Que
amei
E
quanto
lamentei
Se
não
disse
mais
Ou
apenas
guardei
Em
poemas
e
versos
não
traduzidos
nem
compreendidos
Por
quem
deveria
tê-los
lido
E
ainda
por
tudo
mais
Que
escrito
ou
não
Possa
estar
em
gavetas
Ou
guardado
em
pastas
Escondido
Esperando
ser
achado
e
entendido.
Amanhã
Quando
for
meras
cinzas
Dividam
o
que
restar
entre
iguais
partes
de
um
mesmo
tipo
de
quinhão
Memórias
Escritos
Valores
E
amores
O
que
fiz
Ou
deixei
pra
trás
O
que
quis
E
o
que
não
consegui
O
que
fui
E
o
que
apenas
imaginei
ser
Dividam
tudo
Ou
nada
Porque
de
tudo
o
que
tive
Ou
ainda
tenho
Apenas
não
se
hão
que
dividir
(please)
Os
que
fiz.
Amanhã
Quando
for
meras
lembranças
Não
lamentem
a
minha
ida
Nem
critiquem
a
minha
vida
Porque
se
vivi
como
pude
E
não
como
quis
Nada
lamento
pelo
que
não
consegui
Nem
retornaria
no
tempo
Ainda
que
pudesse
Com
o
risco
de
perder
O
que
tive
Pelo
que
preferi
Sempre
Não
lamentar
o
ontem
Nem
esperar
muito
do
amanhã
Mas
me
conformar
com
o
hoje
E
prosseguir
Como
se
fosse
o
último
dia
Da
longa
série
que
dizem
Ser
o
que
vivi.
Hoje
Logo,
logo
Vai
ser
apenas
ontem
Porque
o
amanhã
logo
chega
E
quando
outros
não
mais
estiverem
por
vir
Nada
mais
haverá
que
nada
no
longo
livro
que,
então,
Apenas
terei,
assim,
escrito
o
fim.
Amanhã,
Logo,
logo
Vai
ser
apenas
mais
um
dia
Que
até
que
se
consuma
E
outro
se
ponha
defronte
mim
Não
sei
se
é
fim
Ou
mais
um
ontem
para
eu
somar,
enfim.
Porque
meus
dias
se
contam
de
trás
pra
frente
A
minha
vida,
como
a
de
todos,
É
um
descontar
de
dias
e
não
soma
Apenas
com
a
divina
ironia
De
que
não
sei
o
número
final
Nem
assim,
afinal,
Quando
a
prova
dos
noves
se
conclui
E
quando
eu
não
recomeço
outro
dia
Mas
findo
o
que
tive
Ponto
e
não
mais
exclamações
ou
dúvidas
Ponto
apenas
Ponto,
pronto
ou
não
Para
o
que
dizem
fim
Sorte
ou
não
Conforme
se
acredite
que
outra
chance
começa
Ou
que
apenas
pó
há
de
sobrar
Além
do
que
fiz
Do
que
escrevi
E
dos
que
tive
Para
se
lembrar
de
mim
Num
eterno
que
dura
Na
mesma
medida
Do
não
ser
esquecido.
(Alexandre Nery - 20.11.2011)